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UMA HISTÓRIA DE AMOR!

  • 15 de abr. de 2016
  • 6 min de leitura

Eu tenho muito orgulho de falar desse AMOR bonito, que eu pude conviver por um pouco mais de 12 anos, esse tempo diretamente relacionado a convivência com meu pai.

E com a minha mãe eu estive por 42 anos.


Quando há AMOR, rótulos, paradigmas e regras sociais são quebradas, e a felicidade, mesmo que vivida em ínfimos momentos, preenche de maneira plena as almas que se doam totalmente uma a outra.


Minha mãe Wilce Damasceno Lopes, conheceu meu pai Raimundo Nonnato de Castro nos idos de 1934, em uma viagem de férias, proporcionada pelo meu avô que era um dos comandantes do JG ARAUJO.

Ela estava tocando piano e tinha ao seu redor, algumas pessoas que a ouviam, dentre elas meu tio Ribamar, que também estava de férias e era amigo de meu pai.

Pode parecer um desses enredos melosos e românticos, mas eles se conheceram exatamente dessa forma.


Meu pai se aproxima para falar com o meu tio, e assim como as outras pessoas, acaba ficando a ouvir o dedilhar daquela menina ao piano. Menina sim. Minha mãe naquele momento, tinha apenas 11 anos.

Ao término da música, ele se aproxima junto com as outras pessoas que a ouviam, para cumprimentar. Até então uma atitude inocentemente educada de um homem, que já estava na casa dos 30. Entretanto, a diferença de quase 20 anos, não o impediu de ao chegar a ela, além das felicitações normais pela apresentação ao piano, jogar-lhe alguns galanteios e dizer, na ousadia de quem estava acostumado a ter os olhares femininos voltados para ele, que ela minha mãe, seria sua.

Ali, se sacramentou o que seria o AMOR de toda UMA VIDA.

Pela amizade com meu tio, ele passou digamos assim, a rondar e acompanhar o desenvolvimento de minha mãe. Claro que isso foi semeando aquelas palavras que povoaram a mente daquela jovem menina de 11 anos, conforme o tempo passava, e que foram sendo trabalhadas ainda mais pelo cavalheirismo atencioso com que ele a cercava.

Não tem como não enaltecer o quanto eles foram transgressores, fortes, decididos, corajosos, persistentes, em viver um amor VERDADEIRO, sem a menor sombra de dúvida, mas que batia de encontro com os padrões preconceituosos vigentes à época.

Ao completar 16 anos, eles "abrem" o que sentiam para os mais próximos e aos 18, ela sai de casa para viverem juntos.

Notem que não falei em casamento.

E realmente não aconteceu casamento. Meu pai já era casado e tinha um filho.

Consigo "arranhar" o que viveram, o que enfrentaram.

Inegavelmente para o meu pai deve ter sido extremamente mais fácil. Afinal, ele tinha conquistado o coração de um "biscuit" que com sua elegante e singular presença, causava fervor a ala masculina de sua geração. E se ainda hoje existem os dedos em riste e os preconceitos, era incomensuravelmente pior naquele tempo.

Não sei sinceramente porque ele não se separou, já que era visível que o grande amor da vida dele, foi a minha mãe.

O que sei é que eles abraçaram esse AMOR e o viveram abertamente.

Eles não se escondiam, eram sim discretos, por respeito à família que ele já tinha e por Manaus ser ainda uma pequena cidade provinciana, onde todos se conheciam. Mas isso não os impediu de viajar juntos, de irem aos cinemas, de frequentarem as docerias, de terem uma vida mais próxima do "normal" que podiam.

Minha mãe é a "cara"....porque enquanto os homens louvavam a conquista do meu pai e lhe davam tapinhas nas costas, ela teve claro, que ouvir inúmeros adjetivos nenhum pouco louváveis. Amante é o mais gentil de um rol incontável de palavras de baixo calão.

Mesmo assim, ela continuou sua vida com uma força e uma retidão de caráter invejáveis até hoje.

Foram 40 e poucos anos de AMOR.....AMOR.....AMOR. Recheado de atenções, carinhos, cuidados de um com o outro, presentinhos, beijinhos roubados e outros nem tanto, mão na mão, abraços que envolviam a alma e não só os corpos, olhos que brilhavam só a lembrança ou a citação do nome do outro, e por ai vai.

Foi o AMOR mais palpável e verdadeiro que já conheci nesses anos da minha vida.

Nunca os vi discutir ou brigar. Nunca presenciei de um para o outro, uma palavra mais ríspida, um olhar torto ou alguma atitude que denunciasse insatisfação, revolta ou remorso pela opção que tomaram.

Até o último momento foi AMOR.

E só não ultrapassou esses 40 e poucos anos, porque DEUS o chamou e ele partiu, deixando-a em farrapos. Quebrada nesse sentimento que foi o alicerce, a base, a vida.

Como diz a música: "...VAMOS VIVER TUDO O QUE HÁ PRA VIVER, VAMOS NOS PERMITIR..." e eles se permitiram ser FELIZES, sem preocupação com os mexericos, os julgamentos.

Ela se impôs, foi conhecida, reconhecida e respeitada de tal maneira, que conquistou até mesmo alguns membros da família dele, como o seu único filho Paulo. Eu ainda guardo uma vaga lembrança desse meu meio-irmão que nos fez algumas visitas, na casa em que moramos na Rua Paraíba, no bairro de Adrianópolis, próximo ao Restaurante Chapéu de Palha, que hoje abriga um Posto de Combustível.

Posso lhes parecer suspeita, e como não ser....contudo a magia dessa história real, desse amor intenso que quebrou, transformou, transcendeu, serviu de base, exemplo, herança e legado pra mim, é uma das maiores e mais bonitas bençãos que o Senhor me permitiu viver.

Meu Pai foi o ÚNICO homem e o ÚNICO amor da minha mãe.

Após sua passagem, ela não teve olhos para outro homem. O AMOR que viveram, supriu minha Mãe, até também seu último suspiro nesse plano.

Ela cumpriu por amor, todas as juras que fizeram, guardou no mais fundo do seu ser tudo o que viveram, as experiencias, os toques, sorrisos....e quando ela sentia a profunda saudade, ela fechava seus olhos e se transportava para se reencontravam nos sonhos, nas estrelas, nos pensamentos, no calor do amor que exalava de suas almas e se enlaçavam acima do finito existir. Como eu também sei, que foi graças a esse amor, que ela arregaçou as mangas, diante das dificuldades que se apresentaram após a passagem dele, para enfrentar a vida, com a mesma cabeça erguida que ela teve ao seu lado.

Não me resta sequer uma mísera dúvida que foi através desse AMOR, que me pinçaram para amar. Para ramificarem em mim esse sentimento, essa força, essa vontade de viver, seus exemplos de dignidade e caráter, seus valores arraigados na bondade, na caridade, na compreensão. Porque mesmo que diante dos homens e da igreja, eles vivessem em pecado; eles foram DIGNOS por viverem esse AMOR que era maior do que eles mesmos. Que não conseguiu ser freado. Que sobreviveu a muita coisa, muita mesmo.

Foi esse AMOR que me adotou.

Eles se esmeraram em tudo que dizia respeito a mim. Me envolveram nesse sentimento incomparável, criando uma redoma de proteção, talvez por não se permitirem me expor a maldade, mesquinharia e inveja humana.

Tive o melhor deles. Só não tive muito tempo pra dar o meu melhor para o meu pai, por conta de sua partida.

Foram eles que preencheram meus espaços, meus poros e me deram a base para exercitar de todo coração a FÉ, AMOR, ESPERANÇA e GRATIDÃO, não somente por me adotarem, mais por me darem o MAIOR EXEMPLO de DIGNIDADE e AMOR.

Um nó se forma em minha garganta e meus olhos ficam enevoados por saber que sou testemunha dessa que pra mim, É, a mais bonita história de amor REAL, que eu tomei conhecimento.

Não tenho como, não quero e muito menos posso NEGAR que sou uma centelha de TUDO o que eles foram pra mim. E ao me dizer - centelha - , não estou me menosprezando, muito ao contrário. Me sinto imensamente feliz, agradecida e profundamente amada por eles até hoje. Me sinto abençoada por eles, quando entristeço e só na mais tênue lembrança desses dois seres de amor, tudo ameniza, evapora, se transforma, muda e para.

Minha intensidade, minha maneira de ser e ver a vida, as pessoas... ao me arrebentar de existir sem pudor ou falsas moralidades, é porque tive os melhores PAIS, PROFESSORES, AMIGOS e EXEMPLOS de tudo.

Dizer-lhes que não CREIO no amor e em tudo o que se pode suportar e transpor, viver e conseguir, em função de vivê-lo por entrega total, de corpo e alma; de maneira intensa, viva, vibrante; é trair a história e a memória deles.


Wilce Damasceno Lopes, minha mãe, minha Mammy, meu Cheirinho, meu passarinho, meu Beija-Flor

Raimundo Nonnato de Castro, meu Paizinho queridinho de ourinho


OBRIGADA por tudo.

Vocês foram a dádiva viva, que proveio da Bondade Infinita de Deus e que em todos os dias que eu tiver, não serão bastante para agradecer a ELE, por vocês na minha vida.


Indubitavelmente a melhor herança que eles me deixaram foi todo o AMOR que viveram e todo o AMOR que comigo partilharam.


Essa música é pra vocês...


FASCINAÇÃO

Os sonhos mais lindos sonhei! De quimeras mil, um castelo ergui! E no teu olhar, tonto de emoção, Com sofreguidão, mil venturas previ! O teu corpo é luz, sedução! Poema divino cheio de esplendor! Teu sorriso quente, inebria, entontece! És fascinação, amor! Teu sorriso quente, inebria, entontece! És fascinação, amor!


 
 
 

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