JOIO e TRIGO, porque só somos capazes de dar aquilo que temos.
- 24 de abr. de 2016
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Desde criança que ouvia falar do apocalipse... e quando falavam via nos rostos sempre um sinal de apreensão, de medo... um medo que vinha do interior, um medo quase irreal, um medo de coisas inimagináveis... Eu era criança e aprendia coisas sobre o céu e o inferno e que devíamos ter medo do "diabo" e sempre pedir proteção à Deus. Em casa, havia o maior respeito com os santos, as coisas sagradas, a ponto de se cobrir todos os santos e espelhos na semana santa e, na sexta-feira da paixão, jejuar e não se olhar nos espelhos nem para se pentear... Havia também respeito para com os mortos. Quando alguém morria rezava-se missa e se fazia novenas e o cemitério era chamado "campo-santo". E eles realmente descansavam em paz. Eu também ficava encafufada, como pode Deus ser 3 pessoas em uma só? A "Santíssima Trindade". Como pode estar em toda a parte se o mundo é tão grande? As crianças nunca se intrometiam nos assuntos dos mais velhos e brincavam felizes, esperando pelo "Papai Noel" no mês de dezembro, procurando serem boazinhas durante o ano todo para ganhar o esperado presente, que muitas vezes acontecia só no Natal mesmo e, era apenas um. Com ele se brincava o ano inteiro e aprendia-se a conservá-lo, a ter carinho pelo que se tinha, se valorizava cada gesto de atenção, de carinho, de afeto. Tempos antigos? Nem tanto... Passou-se menos de meio século e hoje podemos ver que tudo está mudado. Também houve um tempo em que me perguntava: Deus existe mesmo? Então porque deixa orfãs muitas crianças levando suas mãezinhas? Por que permite que existam guerras? Hoje me questiono: Por que o ser humano ainda não conseguiu enxergar que o mal e o bem dependem somente de suas próprias ações? E aí me vem uma de tantas frases que aprendi no decorrer desses anos: -Você só é capaz de dar aquilo que você tem. Se hoje tenho respeito, é porque meus pais me semearam assim. Nem lembro quando as datas que damos tanta importâncial comercialmente hoje, passaram a ser tratadas dessa forma, porque o que importava mesmo eram os sentimentos, os valores! Fico feliz sim, em ver que podemos ter frutas, castanhas e nozes em qualquer tempo, também o panetone está a disposição o ano todo. Porque antes eram artigos que representavam uma época especial...Refrigerante, que era artigo de luxo, hoje temos para escolher e beber a qualquer hora. Alguns até já substituiram a água por ele. As crianças fazem lista de presentes no dia no aniversário, dia das crianças, natal, e vão aos shopping com os pais para comprar tudo o que querem, algumas fazendo escândalo, outras mais comportadas... Aprendem desde cedo a consumir e a enganar-se e fingir como os pais. Na época do Natal e Páscoa, Jesus fica em segundo plano. Alguns se perguntam ou até o confudem com o Jesus Luz, da Maddona, ou quando não, perguntam quem é ele? Ah tá...aquele cara que morreu na cruz? Que tolice!!! Respeito aos mais velhos? Coisa de babaca, de gente ultrapassada... Hoje o que impera é o "eu". Cheguei primeiro no ônibus, sento. Tenho direito... "tô pagano"... A falta de respeito para com os idosos ou deficientes é tanta que tiveram que ser instituídas leis para reservar vagas para eles nos ônibus, trens, estacionamentos...E diga-se de passagem, pouco adiantou. E nem preciso chegar às violências, a toda espécie de abuso e ao pré-conceito mascarado, que açoita e envergonha em pleno século XXI. Quando ouço na TV casos como o da Eloá e tantos outros que continuam a ser explorados, o que me ocorre é que estamos começando a colher aquilo que muitos pais, por medo de educar e corrigir seus filhos ou por medo de "traumatizá-los", não souberam dizer "não" na hora certa. Jovens que crescem sem conviver com o NÃO tornam-se egocêntricos e não toleram quando alguém lhes nega qualquer coisa e, então, se frustam e matam. Assim, como se descasca uma fruta pra comer. Enquanto tivermos medo de educar nossos jovens, seja na família, na escola ou na sociedade, eles se tornarão "reizinhos" e nós todos seus reféns. Ouvi outro dia uma reportagem sobre pichadores. A repórter entrevistava duas garotas que picham a cidade (engraçado como repórteres descobrem pichadores, bandidos e fugitivos e a polícia não). Bem, elas estavam felicíssimas com o fato e diziam na maior cara dura: "Pô meu,é a mô adrenalina meu... o que nóis gosta memo é quando a gente tamo pichano e vem a puliça, aí a gente sai disparado e eles num pega a gente... Meu... é demais!.. a gente ri dos cara...Pichá é que nem um vício, quando si picha uma veiz nunca mais a gente qué pará.." Pois é... e eu fico pensando o que essas garotas terão a ensinar aos seus filhos? Quais valores elas irão passar para as novas gerações? Vejo, que cada dia mais, os corações estão cheios de cobiça, inveja, prepotência, falsos valores...e que cada dia mais passamos isto às nossas crianças e jovens... E depois reclamamos: Essa juventude não tem mais jeito!!! Essas crianças estão impossíveis!!! Creio que precisamos fazer uma pausa para refletir. Buscar a unidade na dualidade. Ignorar o mal não é a solução. Achar que Deus proverá, também não. Está na hora de sermos honestos primeiramente com nossos corações. Parar para ouví-lo e, quando agirmos, pensarmos antes se aquilo que vamos fazer aos outros gostaríamos de receber da mesma forma. Já nos dizia São Francisco: é dando que se recebe.
Vamos dar as mãos e doar nossos corações repletos de amor puro e verdadeiro, encher nossas mentes com valores e agir com integridade. Já vivemos muito tempo e sabemos exatamente distinguir o bem do mal... sabemos que o bem é muito mais prazeroso que o mal, mas insistimos em fazer as coisas da maneira errada, visando lucros, status, notoriedade... e recebemos de volta: insegurança, desamor, inveja, traição e tantos outros males. Não deixemos que o joio tome conta do trigo... Ainda há tempo!


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