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FINITO

  • 10 de mai. de 2016
  • 2 min de leitura

Quando a gente nasce, não temos noção de tempo e espaço.

Somos dependentes e se não tivermos quem nos cuide, iremos perecer. Mas só vamos ter essa consciência muito mais lá na frente.

E conforme isso vai se dando, chega um momento em que a gente se acha o centro do universo, dona do tempo. Caminhava pela rua de cabeça erguida, ostentando toda a minha juventude que aflorava, como as flores do jardim da casa em que morava.

Nessa fase da vida, parece que o tempo nos pertence e que ele andará conforme a nossa vontade, como se o pudéssemos fazer parar e tudo fosse resolvido num piscar de olhos. Tínhamos também uma sofreguidão de vida, de experimentar com o ímpeto que a imaturidade nos respaldava, porque era ou não era. Não tínhamos tempo a perder, mesmo que tivéssemos todo o tempo do mundo.

Não posso falar por todos, mas era assim que eu me sentia. O que eu não sabia é que, mesmo depois dos 30, 40, 50 ou quantos anos tivermos, vamos continuar podendo o que quisermos e estiver ao nosso alcance. Porque o TEMPO não é privilégio singular da juventude. O TEMPO é privilégio de quem está vivo e se permite viver e sentir, sem temer as oportunidades e incógnitas que afloram no horizonte.

Nada é duradouramente certo.

Tem-se como única verdade absoluta, nossa finitude enquanto seres humanos, sem nenhum aviso prévio, dica ou sinal.

A vida é um pavio que vai queimando ininterruptamente e dependendo do valor que foi dado ao tempo, lentamente ou não.

Dá medo? hummmmmmmmmmmm....pode ser. É aí que entra a fé.

Contudo, prefiro achar que em vez de ficar escarafunchando e dando adubo ao medo, o melhor mesmo é transformá-lo em um bom motivo pra espanar a poeira do que resta de frescura, pular por cima de conceitos ultrapassados, derrubar o muro da vergonha sem motivo, enxugar as lágrimas sem razão, jogar fora os mimimis, abrir o peito como se abre uma janela para vislumbrar o novo dia que se descortina.

Quando a gente cresce, tende-se a perder a leveza que simplifica o olhar, e começa-se a complicar o que nem é tão complicado assim. Assumimos um pouco a síndrome do Dom Quixote, onde qualquer moinho de vento, vira um dragão, um castelo inexpugnável, um guerrear contra o vento.

A gente precisa mesmo é resgatar um pouco daquela imaturidade pra sentir que não é só a morte que acaba a vida da gente. Morrer?....morreu! Acabou. Findou!

Quero ver é continuar viva, enquanto houver vida, com a mesma cabeça erguida, encarando o tempo, as rugas que vão chegando, a flacidez que vai se instalando, as dores que vão se acomodando, os passos que vão oscilando, e ainda assim, fisgar dentro de si, a mesma fé, o mesmo amor, o mesmo olhar e gozar da existência tirando o máximo proveito da finitude que ainda há pra viver.

"...da janela o horizonte

a liberdade de uma estrada eu posso ver..."


 
 
 

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