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MAR DE ROSAS

  • 10 de mai. de 2016
  • 4 min de leitura

Ainda bem que a vida não é um MAR DE ROSAS.

Mas logo eu dizendo isso? Eu mesma.

Não dá pra imaginar a chatice que ia ser, se tudo fosse sempre as mil maravilhas? E eu que adoro cor vibrantes, tivesse tudo ao meu redor nesse padrão, ia chegar um momento que ia se tornar monótono.

Precisamos dos altos e baixos.

Dos dissabores e das alegrias.

Tudo faz parte.

Imaginem se todos enveredassem e tornassem moda ser grato. Grato por tudo.

E todos resolvessem agradecer a cada suspiro por estar vivo, saudável, por ter o que comer, por ter filhos lindos, por ter bracos e pernas....mas isso não como a gente costuma fazer. Mas sim de maneira contumaz e exagerada.

Eu sou uma pessoa grata, do tipo que agradece diariamente por tudo o que citei. Só não estampo isso todos os dias nas primeiras páginas dos grandes jornais, muito menos pego um megafone e saio por aí berrando pra todos ouvirem.

Existem muitas maneiras de sermos gratos.

A maior questão é que nem todos conseguem compreender os caminhos que a gratidão podem tomar, porque é muito mais "fofo", quando se escancara a gratidão em elogios, palavras bonitas que preenchem e levam o ego até a estratosfera.

Vivemos num grande espetáculo, onde qualquer festinha, dependendo do ângulo da foto, vira um festão. Olha que tenho tarimba pra afirmar isso.

Qualquer chopinho no boteco da esquina, vira rapidinho na maior noitada. Como se fosse um pecado curtir a simplicidade de tomar o que quer que seja, num lugar simples e aprazível.

Neste mundo pirotécnico, venceu o "travecão" (rs rs rs), que sai sempre por cima, montada, só no carão.

Ou então as caras botoxizadas, que a gente fica sem saber se está rindo ou chorando pela rigidez da expressão, ou pior, se colocar várias delas lado à lado, ficam parecendo clones dos circos de horror que faziam a alegria da população do início do século passado.

Por um lado é bom, mas já não se pode colocar qualquer coisa menos impactante que o de costume, seja música, frase, post ou foto, que todos já começam com teorias mirabolantes de tristeza, depressão, baixo astral ou coisa pior.

Quanto mais você aparentar alegria de viver, e a cada piscar de olhos ou esboço de sorriso, aproveitar pra tirar fotos e postar no Instagram, Twitter ou qualquer outro, explodindo de alegria e felicidade, ou fofura, ou delícia, ou carinho, ou amizade.....ihuuuuuu, você vai "bombar" e inflar o número de seguidores.

Mas em algum momento vai chegar a contrapartida, porque de tanto você expor esses momentos, vai aparecer o "olho gordo", a inveja, os 'amigos da onça" e muitos outros que se apresentam, se utilizando das mesmas máscaras que você. Porque ninguém é feliz o tempo inteiro.

É fato que a gente tem que se amar, se amar muito.

A chave está em ter auto-estima pra não deixar a peteca cair. Se achar maravilhosa, se valorizar, sem cair no narcisismo tosco e egoísta, e nem atropelar pelo orgulho de ser a "tal" tudo e todos que ousem não reconhecer seus méritos e qualidades e nem bajular sua divindade. Não é por aí.

Todos somos especiais, e merecedores do melhor, só que por isso mesmo não temos o direito de menosprezar ou nos acharmos melhores do que o outro, a tal ponto de o tratarmos como um zero a esquerda ou pior, olharmos, sem o ver.

Minha auto-estima e minha vaidade são amigas íntimas, andam sempre de mãos dadas.

E apesar de ter sido muito mimada. De ter a fama de "fresca" e metida, mesmo nos meus áureos tempos, sempre gostei de tratar bem as pessoas, independente de qualquer coisa.

Pra mim, isso faz parte também de se conhecer, se amar e se aceitar.

Me sinto bem no restaurante mais chique do mundo, da mesma forma que sentada na beira de uma sarjeta degustando um simples cachorro quente ou saco de pipoca. O que importa em ambos os casos é estarmos no sentindo bem, e em boa companhia, ainda que essa companhia seja nossa sombra ou o reflexo no espelho.

Porque eu prefiro gente viva, que desce do salto e fica descalça e põe o pé na realidade, sem medo de se sujar ou do que os outros vão pensar.

Prefiro gente que é feliz quando dá pra ser feliz, e quando está triste chora e desaba, como qualquer outro mortal, que somos todos nós, aceitando com simplicidade a polaridade da vida. Que comete erros e faz merda, reconhece e vai lá pedir desculpas, buscando acertar da próxima vez.

Gosto demais de pessoas que se descuidam, reclamam, não se acham mais merecedoras do que outros por terem um título de doutor, uma conta mais polpuda, carro do ano, viagens para os 4 continentes, ou que tomam banho com a mais cara champagne e ao mesmo tempo, se deliciam com um bom ovo frito dentro de um pão quentinho com manteiga derretendo e um café passado na hora.

Prefiro quem não fique em busca recorrente de expor uma falsa alegria, se impondo regras de felicidade prét-à-porter, onde ficam todos iguais, robotizados, sem chance de viverem com liberdade a simplicidade do existir e toda a beleza que lhe cabe.

Gosto de gente que sente. Gente que já se sentiu a última das criaturas uma vez ao menos, já chorou por amor achando que não iria sobreviver a tanto sofrimento. Que fala sem medo que já errou. Que já magoou e foi magoada...que viveu! que vive!

É obvio que eu sempre quero que tudo dê certo, que todos tenhamos saúde, que nossos projetos sejam sucesso retumbantes e sejamos festejados com foguetes pipocando e gliterizando o céu, num eterno por-do-sol de cartão postal, num mundo de tolos e iludidos? Não....num mundo real, onde tudo isso pode sim acontecer, mas não será diariamente e nem cairá na rotina, porque a vida não é um eterno mar de rosas, e graças a Deus, mesmo que fosse, até a mais linda das rosas tem espinho.

, estourando em foguetes, pipocando, gliterizando, num eterno por-do-sol de cartão postal, num mundo de tolos.

vida real. eu gosto. eu gozo.


 
 
 

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