PIQUE ESCONDE, ATÉ ONDE?!!!!
- 20 de jun. de 2016
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Quando eu era bem mais jovem, escondia meus sentimentos por temer parecer fraca, fútil, imatura. Eu era tudo isso e ainda sou tantas vezes que precise ser.
Não adianta me esconder de mim mesma e só complicar a caminhada. Não tem como evitar tropeços e erros, nem ser forte o tempo inteiro. A couraça de aço, cabe apenas no desenho animado que enfeitava minhas tardes de infância, e por lá ficou. Cumpriu com magia e preencheu meus olhos inocentes para o que vinha pela frente.
Usei algumas máscaras. Enviei a cabeça em buracos pra esconder as lágrimas. Tentei pintar a tristeza.
Tudo tem seu tempo de ser.
De ficar.
De ir.
Hoje já não me constranjo ao me verem chorar.
Nem toda lágrima é tristeza, fraqueza, dor, angústia.
Pode ser emoção. Amor. Uma saudade bonita, ou, simplesmente não conseguirmos tocar o porquê da profusa cachoeira que desce de nós pelos olhos, e nos banha refrescando, lavando a alma, abrindo espaço para novas sensações.
Me acho mais forte pra certas coisas hoje, ao mesmo tempo que estremamente fraca e frágil pra outras.
Meu sarcasmo, docilidade, acidez e afetividade, dançam ao ritmo da reciprocidade, e muito se engana, quando sorrio meio boba, pra quem me olha, sem conseguir me sentir e entender.
Não sou fácil, mas sou meio "gata". Não gosto de água muito fria, mas meu ser se arrepia, de me cativar com verdades, amizades, carinho, dengo, atenção e compreender, que sou humana. Humana e manhosa.
Já quis que as coisas acontecessem ao estalar de dedos ou piscar de olhos. Compreendi, que elas serão quando tiverem que ser. E as entrego a ELE que sabe muito mais de mim, do que jamais serei capaz de saber.
Me cobro menos, para que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente, nem me impeçam de sentir tudo o que sinto e, se estiver afim, estar de cara fechada e e absurdamente açucarada, esperando só a simplicidade de um raio de sol me tocar, e eu poder desabrochar e soltar a maior gargalhada pra ecoar em todo meu ser.
Quero tudo em seu lugar......coração na boca, cérebro na mão. Porque ser racional o tempo todo, pode matar o que há de melhor em mim.
Aceitar e assumir meus defeitos, medos, neuras, noias e pesadelos, tendo sabedoria para manejar um a um, em prol de seguir dando valor a simplicidade de ser feliz, com tudo isso e mesmo assim.
Continuar praticando, persistindo e aceitando a arte de me apegar as pessoas que me acolhem, que estão ao meu lado, apesar do meu mau-humor repentino, das incertezas, dos percalços. Mas que conseguem me olhar por dentro sem se importar com o que eu carrego no bolso, no banco, no cofre ou na mão. Dando valor real ao que trago no coração, que transborda de mim pelo olhar, pelo ficar, num abraço ou em uma oração.
Quero continuar a caminhar com as pessoas que me somam e arrumam um "tempo", pra que possamos renovar e partilhar energias, insistindo de várias formas, para que nossos sorrisos e risos, se completem e fiquem retumbando até o próximo encontro.
E que eu seja para elas, em todo e qualquer momento, a mão estendida que ajuda a atravessar abismos, ser abrigo pro coração, pra morar a qualquer hora, mesmo que longe estejamos.
Que nessa grande escola, em tantas aulas compartilhadas, a gente vá aprimorando tecer milhares de sorrisos, construir certezas em cima dos medos, enlaçar com afeto as cicatrizes, ser sombra pra descansar. Plantar pés de esperança, nos vazos de boas vindas de nossos corações, pra encantar e fincar quem se aproximar e sair atrás, de quem porventura se perder ou tentar se jogar no abismo das dores que por vezes se faz erva daninha em nossos coraçoes.
Todo dia é novo, e me dou a oportunidade de exercitar o que vivo, falo, escrevo.
Quero exortar todo resquício de hipocrisia que ainda haja em mim.
Buscar viver dentro das verdades que acredito serem as melhores pra mim. Já amadureci e até "caí" de tanto ficar na onda de agradar "alguéns". Transcendi. Pulei essa onda. Chutei esse baldo bem pra longe de mim.
Nunca fui muito boa atriz e pra mim maquiagem, é usada pra me fazer feliz.
Não é fácil sermos nós de verdade.
Assim como também não é, termos que nos adequarmos e reinventarmos pra seguir sorrindo, sem turvar os olhos, sem deixar de ver a beleza que nos rodeia, o amor que nos ampara, e o Braços que nos abrigam. Nas esquinas da vida, num chá ou aperto de mão, encontro pessoas que estão na mesma "vibe", sendo "velhas" amizades ou não.
Já não ligo pros defeitos. Se eu os tenho, porquê será diferente com os que me rodeiam?! Só não dá pra ser hipócrita e não dizer que alguns incomodam, mas é só não valorizar demais, e assim acho que consigo lidar. Complicada tudo bem. Perfeitinha, nem pensar. Os imperfeitos aceito de braços abertos. São como eu.
Quer vir comigo, venha! Mas venha sendo você!
Prometo não me assustar, ou se me assustar, não fugir... Se você prometer também não se assombrar com o que sou, a gente vai seguir
"...se perder e se achar,
que tudo aquilo que é viver
eu quero mais é me abrir
e que essa vida entre assim
como se fosse o sol
disvirginando a madrugada
quero sentir a dor dessa manhã..."
Já chega!
Sai dessa vida.
Não perca mais tempo....pode não dar tempo se continuar a se esconder.
Afinal, o melhor é se conhecer e reconhecer que brincar de manja do esconde é bom. Mas o melhor é a boa risada, a estrondosa gargalhada compartilhada a ecoar no outro.
É se ver no reflexo do espelho sem temer as rugas que se firmam, os brancos que afloram do cabelo, a pele com todos os produtos de beleza um pouco mais flácida, os gramas de peso a mais, independente da boca fechada e intensidade da atividade física.......porque tudo isso faz parte.
Aí digo e repito: - a melhor parte é não ter mais que se esconder. É se permitir viver na leveza, na beleza e perceber que o brilho do olhar, é mais forte e intenso muito mais agora, do que quando só brincávamos de ser.


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