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APRENDA A LER

  • 21 de jun. de 2016
  • 3 min de leitura

A escola formal, em etapas edificantes, vai abrindo as portas e apresentando as veredas que nos preparam para a leitura, e toda a gama de sonhos, conhecimentos, desafios e inquietações que isso tudo junto e misturado nos trazem.

Muito mais que aprender nos livros, existem matérias que não são ensinadas em nenhuma escola do mundo, e que só a vivência, as pancadas, as ultrapassadas e as multas, vão nos lapidar para vermos o avesso e sentirmos a textura que pode criar calos dentros de nós, ou a melhor maneira de os evitar.

Eu fui e sou ainda inconstante.

As auto-leituras, nos permitem pensar de forma mais objetiva sobre o que realizamos ou não.

Todos somos plurais, mesmo em nossa singularidade, podendo ler as situações de maneira multicolor, em nuances do arco Iris, outras em cores esmaecidas quase se aproximando do preto/branco, básicos. Existirão também momentos esmaecidos, que nos farão mais fortes, com o pé no chão, enveredarmos na utopia do mundo da lua ou simplesmente se dar a oportunidade de ressurgir das cinzas.

Fênix! Ah, pode ser um drama para alguns, mas só nós mesmos conseguimos conduzir nossos sentimentos, isto é, guiá-los e desviá-los do que queremos ou não. Contudo não é uma situação homogênea, e é nas fugas do equilíbrio que nos perdemos. Fogem todas as nossas forças e concretizações. Embora muitos possam se sentir frustrados, tudo isso é uma guinada para uma vida viva.

Vida viva, vivida. Viver nas nossas vontades, não nos prendermos, não ter medo. Sei que aprendi que o medo é impeditivo, mas não de doto. Alguns medos confesso, me venceram, e lhes digo sem o menor pudor que ele é um dos maiores inimigos, pois nos bloqueia para a vida.

Os medos que me venceram, são causaram grandes danos no meu desenvolvimento pessoal e profissional. Ao menos até agora.

A gente possui vontade, ganância de mudar, mas dependendo de como aprendeu a ler... o medo, o tal medinho, invade o consciente e cria desvios para as emoções. Engana. Suga. Ilude.

De tudo que aprendi a ler de mim, em mim mesma, existem ainda vários medos, que vez em quando batem à porta para visitas indesejadas, trazendo a tona o que erroneamente achava que tinha sido dominado. Que havia "passado de ano", como na época da escola.

Não me sinto reprovada na interpretação auto-enganosa que tenha me apresentado, porque é a partir daí que posso mesclar os sentimentos e tentar ser diferente. Deixar o medo ser respingado, pela enchurrada de cores, que se não as trago comigo no bolso da esperança, pego emprestado da natureza que brilha e está em todo lugar, fazendo-o sumir ao se mesclar no meio das cores. Assim, fica fácil, mais maleável, flexível e as nossas vontades e desejos, realizáveis.

É dessa forma que uma boa parte desses anos, tornaram-se brilhantemente incomensuráveis.

Apesar das inconseqüências, onde não existem grandes arrependimentos, deixo bem claro, foi viver. Estou vivendo. Possuo uma luz que deseja sair. Sinto paz. Sou eu, do modo que posso e sou agora.

De tudo que aprendi, sei que o tempo é necessário quando é para curar, moldar, adequar e nos apresentar versões mais atualizadas do que achávamos que havíamos lido e aprendido.

Mesmo assim, não dá pra não reconhecer que muitas vezes o tempo só atrapalha. Se for o fim, finde-se. Não adianta tentar consertar vasos estraçalhados. Hoje compreendo o quanto o silêncio é fundamental. Sei que existem amizades verdadeiras. E que a cada vez mais, o mundo é movido pelo interesse.

Consegui ler e interpretar o som. O som do silêncio, parecido com o do Art Garfunkel, o ressonar de quem se ama na calada da noite, dos sorrisos, abraços e brilho dos olhos. Consegui também ler as músicas e vivê-las em todo o potencial e capacidade que elas tem de purificar, desanuviando mente e coração ou nos levando por lugares que só podemos voltar através das lembranças e doces recordações.

Leveza de espírito existe, eu bem sei. Como sei, que talvez na mesma proporção e intensidade sempre hão de existir pessoas que enganam, desvirtuadas de alma, conturbadas em relacionamentos, perdidas e de recuperação no lerem-se, a si mesmas.

Nem tudo evolui igual e isso é lindo, tem seu charme próprio, sua beleza indefectível.

Não sou e jamais serei, o que era ao iniciar esse texto, muito menos serei a mesma até o terminar.

Sou efêmera. Somos efêmeros....em constante mutação, construção, interpretação, leitura, releitura e contextualização.

Sou (somos) mudanças coloridas, pois altos e baixos fazem parte para o amadurecimento.

Perfeição não existe.

Agradeço as boas experiências e as ruins também, elas me elevaram.

Tenho muitos desejos, mas não quero apressá-los.

Viver demanda tempo, paciência (mesmo que eu não a tenha em profusão), adequação, motivação e reinvenção.

Vale a pena. Basta não desistir e acreditar.

Ahhhh.....mas não esqueça de aprender a ler!!!!!!


 
 
 

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