CATIVOS ou CATIVADOS....eis mais uma questão
- 21 de jun. de 2016
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A pressa engole nosso tempo sem mastigar. A soberba dilapida nossa razão. Mas, mastigados somos nós a ficar atrás desta corrida com a ânsia do mundo torto a nos ensinar a correr para chegar sempre na frente. Nossos ponteiros nunca se acertam e nossos fusos horários vivem em constante pane, já nesta vida vivida para trabalhar. Nosso relógio invisível é programado para nos alertar do nosso cronometrado tempo dividido, multiplicado e somatizado das nossas síndromes diárias do ‘estou ocupado’. Com tanta velocidade empregada nosso espaço fica vago e nós desempregados do viver. Tudo é curto, inclusive o pavio. Por isso, até além da próxima sexta-feira outro estado é procurado... Onde está a calma? Nas ruas todo o horário é de pico, toda fila é impaciência e cada palavra é reclamação. Em casa o cansaço é rotina, as dores de cabeça companheiras, e toda conversa agressão. Como praticar a vida sem calma? Sem consultar os celulares inquietos e as horas atropelando? Se as calçadas não tivessem lixeiras, árvores e postes, os motoristas e pilotos dos veículos dariam um jeito de ultrapassarem os adversários outros por ali, os ciclistas ignorariam tudo e os pedestres fingiriam não ser nem com eles... Se houvesse paciência e – sei lá – companheirismo e não competição ilimitada, enxergaríamos mais no próximo, poderíamos baixar a guarda... Mas estamos distantes pensando no dia seguinte, procurando culpados e passando direto pelo dia seguinte. Este passa-passa diário, nos atrapalha com nossos planos de enriquecimento e por mais mais mais mais.... Nossa ambição nos cega, ensurdece, emudece e regurgita verdadeiros valores simplesmente para vencermos a disputa de chegarmos primeiro ao sinal vermelho. Caso esteja verde, aceleramos mais, por uma onda de cruzamentos abertos, para afinal vencermos a competição imposta e dormimos... Lá na linha cruzada nos louros e glórias, procuramos do alto os deixados para trás, os espinhos, pedras e o próprio caminho... Era isso nosso futuro? Mas, cadê a paz?! Quem nos tornamos afinal? Onde está o suficiente? Onde estão os sorrisos? Onde estão os sonhos? Onde está a responsabilidade? Onde nós estamos enfim...? Achamos em algum canto o perdido Pequeno Príncipe da nossa eterna infância, conhecedor do fato de nos tornarmos eternamente responsáveis pelos nossos cativados? 'Alguns’ na verdade temem a felicidade, se tornam cativeiros dos sonhos inacabados, cativos de suas horas marcadas e se esquecem de perguntar: onde está a calma?


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