É TRISTE....pr
- 25 de jun. de 2016
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Diante do que me cerca.
Da natureza que eu vejo pela janela do meu quarto.
Da fé que me move e dá esperança que mora em mim.
Dessa minha sensibilidade "boba" que faz meus olhos transbordarem diante da indiferença das pessoas em determinadas situações.
Fico pasma e chocada, porque sei que assim como eu, conheço tanta gente que faria de tudo para ter algum ou alguns entes queridos, de volta ao convívio, por eles não estarem mais neste plano.
Com a mesma intensidade com que enalteço meus pais e tudo o que eles fizeram, e como me amaram, também confesso que não fui um "doce" o tempo todo para com eles. Tivemos nossos percalços. Sei onde e como os magoei e decepcionei. Poderia me valer do álibi da imaturidade, da juventude e da falta de sabedoria diante dos fatos da vida. Não o faço porém, por mais que pareça querer enaltecer minha evolução, ao contrário, reitero que Eu não era fácil. Era tinhosa...cheia de vontades....marrenta, como falam hoje.
A gente passa a vida em aprendizado diário e contínuo, quem tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e coração para sentir.
Muitos perdem tempo olhando pro lado, enaltecendo o que não é importante, para mais na frente fazer um melodrama indigno de Shakespeare quando a partida sem volta de "quem amamos" chega, de maneira abrupta ou nem tanto.
Falo pra todo mundo e como diz a música: - "...quando eu morrer, não quero choro nem vela, quero uma fita amarela..." e a música ABRA SUAS ASAS, que diz tanto de mim, ao baixar o caixão. Mórbido? Não. Muito ao contrário....muito Eu. Absolutamente sincero e real, dentro do que sou e como encaro a vida.
O passado me serve de base. Vivo o hoje, dando e fazendo o melhor de mim.....sem pensar muito no amanhã. Não é medo, é respeito por mim. É como as pessoas até dizem também: - "pra quê criar caraminholas e até sofrer por antecipação?" É complicado, mas possível.
Meu Pai se foi muito rapidamente. No mesmo dia em que passou mal, faleceu. Não pude me despedir dele como gostaria, e como ele merecia.
Mas esse sentimento que fica faltando algo a dizer ou a fazer, penso eu que em menor ou maior intensidade, é algo que por mais que tenhamos feito, há de ficar aquela incógnita que se tivéssemos tomado essa ou aquela atitude, poderia ter sido diferente, a nos acompanhar vida afora.
Me sinto assim sempre. Porque falo de mim e do que sinto.
Pode ser que algumas pessoas vejam essa volta de 360 graus que dei em minha vida, como um jeito de remissão, pelo que deixei no "ar" com meus pais. Eu particularmente não fiz pensando dessa forma, fiz por amor.
Amor ao meu esposo, pelo companheiro, amigo e o filho que para minha mãe ele foi.
Minha Mãe conviveu com ele por 11 anos. E esse tempo bastou para que se envolvessem em um relacionamento e sentimento tão sincero, que muitos achavam que ela, era a mãe dele. Ciúmes da minha parte? No início um pouco (ohhhhhhh - rs rs rs rs), afinal, filha e foco único de um amor tão bonito, tive que aprender a dividir um pouquinho com ele.
No último dia dela nesse plano, no momento em que ela passou mal, dando início ao que viria findar sua existência, era ele que estava com ela. Eu cheguei logo depois.
Em seus últimos 6 meses, trocamos de papel. Ela passou a ser minha filha e eu sua mãe.
Só ela poderia responder, se Eu soube ser uma boa mãe....dedicada, prestativa, carinhosa, paciente, amorosa!!!!
Uma ínfima esperança me diz que ...hummmm.....é......pode ser!
Eu dei o que era o meu melhor naquela época, naquele momento.
Se fosse hoje é óbvio, faria coisas diferentes, outras permaneceriam como foram.
Entretanto, o que me conforta, é que eu SEI, que ela soube o quanto eu a amava. O quanto o Junior a amou também.
Mesmo que eu chore por sua falta física. Mesmo que em momentos a saudade seja tanta, que parece que o peito vai arrebentar....mesmo assim, existe esse bálsamo de saber que à época, ela teve o meu melhor, e através dela e da sua perda, eu evolui intimimamente.
Talvez por isso que eu ainda me choque, com as cenas novelescas de quem faz figuração na vida de seus pais, de um irmão, filho ou qualquer membro da família.
Que é capaz de sair pro mundo, pra vida e se divertir, esquecendo que existem seres que se alegrariam em receber um telefonema apenas. Que se fazem "presentes", quando lhes é favorável ou necessitam de algo. Que durante a semana aparecem, mas no fim de semana as "desculpas" são inúmeras, por serem mais importantes outros encontros e afazeres.
Eu fico particularmente muito tocada, diante dessas situações.
Quando o estado de saúde de minha Mãe ficou mais delicado, recebi muitas críticas e o afastamento de pessoas que se diziam "amigas", porque quase não comparecia aos eventos, que é o meu trabalho até hoje. Que fique claro, que em momento algum, deixei de os realizar. Apenas era imperioso estar ao lado da minha Mãe, do que colocar máscara e ir sorrir, festejar, celebrar, como se nada estivesse acontecendo. Me desculpem, sou assim, essa é minha maneira de encarar e viver a vida.
Sofri com a partida dela.
Sofri com o "isolamento" e os comentários, de quem fazia questão de dizer que eu havia abandonado minha profissão. De que estava acabada. Entrei em depressão, porque juntou tudo num bolo só.
Graças a Deus......a compreensão e carinho do marido......dos meus familiares de Amor.......dos Amigos de Verdade......dos Irmãos do Coração.....do Amor dela lá de cima.....do Graggy......eu saí! Tô aqui, dando a "beijinho no ombro".....lindaaaaaaaaaaaaaaa e maravilhosa.
É por isso que entristeço muito mesmo, quando presencio essa indiferença, pouco caso, desrespeito, desamor, falta de caridade, insensibilidade por pessoas que lhe geraram, deram amor, abrigo, conforto espiritual e material. E que só querem um pouco de carinho e atenção.
Sabiamente tem um ditato, daqueles que me valho tanto, que me dei a ousadia de adaptar e diz: Pais, são para 100 filhos. 100 filhos não são para seus Pais. Não ficou bom como o original.....Uma mãe é para 100 filhos, mas 100 filhos não são para uma Mãe. Enfim, acho que deu pra entender.
Já ao nascer, começamos a morrer. Fato!
Se não morrermos jovens, de velhos não escaparemos.
Pensa aí.
Veja o que está fazendo....semeando.....plantando. A colheita uma hora vem.
A vida é uma dádiva. E não só a minha ou a sua. A de todos os seres que o Senhor colocou aqui, nesse "mundinho".
Cabelos brancos são lindos não pela cor, e sim por tudo o que cabe neles e nas rugas, na pele flácida, na "rabugisse", nas incoerências, nas "manias", nos "toques", na dependência, na carência, no mal de Alzheimer, no esquecimento, na falta de apetite....
Triste é viver na solidão, no esquecimento de quem nos amou, enquanto não adoecemos.
Triste é ver, que o amor e a dedicação que foi ofertado, vivido e exercitado, ficou só em um lado.
Triste é sentir que no final da vida, você conta com pessoas que não são seu sangue, que não vieram de você, mas que estão alí ainda que em silêncio, dando apoio, carinho e amizade em oração.....por respeito, por amor.
Por isso que quando me perguntam se não tenho medo de ao envelhecer, não ter filhos a cuidar de mim, não me desespero. 1....7....15....100....tanto faz. Não são garantia. Não são "seguro" de que estaremos bem e felizes.
As casas de idosos e os asilos estão cheios de pessoas que tem família, mas que se tornaram fardo, na mesma proporção dos que não tem mais ninguém.
A tristeza no olhar, é mais profunda e dolorosa, daquele que plantou, cuidou da semente com amor, viu-a crescer linda, sem perceber que eram ervas daninhas que sugam, secam e matam.
É sabido, comprovado cientificamente, que muitos idosos morrem de tristeza, de solidão mesmo que cercados por uma multidão, por não se sentirem queridos e amados.
Deixo-me ficar na esperança, que se for da vontade de Deus, dessas pessoas que tanto amo, brote alguém que venha a se importar comigo, quando a velhice a mim chegar. Se não acontecer....o que fazer? Não sei. Mas sei que Deus proverá, o que estiver no meu merecimento.

Por enquanto, vou deixar pra lá e aproveitar a vida....afinal, "viver, e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita; é bonita, é bonita e é BONITAAAAAAAAAAAA"
E não esqueça, "abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa..."


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