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PROCESSO.

  • 2 de set. de 2016
  • 2 min de leitura

Não tenho vocação para freira...nunca tive. E muito menos, desde bem nova, possa ser chamada de menina/moça/mulher bem-comportada. Quero é chegar a velhice ainda bem levada da breca. Penso que meu jeito de encarar a vida, de uns tempos pra cá, me induziram a um ritual que me permite transbordar o que sinto, reflorescendo as esperanças, renovando os sentimentos bonitos que em mim foram semeados por amor. Não tenho calendário para registrar os aniversários, as datas de santos, os grandes eventos sociais. Uma falha de personalidade por entender que a vida tem que ser celebrada todos os dias. Muito embora saiba que eles jamais serão iguais e que ali ou adiante irei me separar com dias nublados ou tristes, pois mesmo assim existe uma beleza intrínseca, escondida no mais profundo do ser. Porque eu quero da vida o que ela tem de mais cru e belo, de intenso e vibrante. Sou dubiamente única e singular. E assim, sinto que tem dia que é de sol, de nascimento, e eu me lavo, me enfeito, me acendo. Celebro mesmo sozinha a festa da colheita em mim, sorrindo com os olhos e gargalhando com a alma. Tem dias que meu coração quer explodir de tão cheio, de sentimentos fartos, que dançam ao sabor do vento, fazendo fluir o que há de melhor. Aí, eu boto meu melhor vestido, eu visto meu maior sorriso, eu canto alto sem plateia pra assistir e vou pela vida a me espalhar. Porque independente de tudo, a energia que pulsa, faz que eu reconheça as bênçãos que envolvem minha existência e..... eu comemoro a vida, e por tudo eu agradeço, eu oro, eu rezo. E o meu rito é para valorizar o bem querer, os abraços abrigos, as palavras que devolvem com lágrimas, o sorriso que estava triste, ainda que tímido. Pois a que vida sem expressão e símbolos vira anestesia cotidiana. E vida anestésica, não me cabe. Não me pertence. Como diz um dos textos de Marla de Queiroz (...) Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou (...) Pois é....Deve ser por isso que se tem dias de ⚜chuva, eu me lavo e saio a correr igual criança ⚜seca, eu me deixo ficar quieta e aproveito pra me revisitar ⚜morte, eu me calo e velo a dor. ⚜estrada, eu me gasto, me aventuro e me jogo ⚜que cai fruta, eu me lambuzo e me regalo Todos os dias eu faço meus ritos Agradeço ao levantar, colho flores se der vontade, abro as janelas, escancaro o peito, choro longo, sorrio derramado. Sem medo. Sem vergonha. Sem pudor. Quando o amor bateu, me casei e nem era meu sonho de vida Quando a lua muda, me transformo uuuuuuu Quando sinto o sopro frio na espinha, me arrepio e me entrego ao dom de seduzir (ui 😉) Quando renasço, me batizo nas águas do amor que move minha vida, é meu esteio, meu cerne, meu norte, meu tudo e me faz ser assim, sem mais nem menos, do jeito que sou. Então....Hoje já sem medo, deixo a dor, revelar a minha cura. É mais um processo. É mais um aprendizado.


 
 
 

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