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INQUIETA-ME...

  • 10 de set. de 2016
  • 4 min de leitura

Nossas vidas, são cercadas de tecnologia e facilidades. Isso é fato. Desculpem-me, mas para mim, isso não é motivo para estarmos enveredando por um caminho tortuoso, cheio de incongruências e tantas faltas...ética, moral, cívica. As vezes me sinto nadando contra a maré, ou como se estivesse em uma ilha isolada, pela frustante sensação de o eco se perder em mim mesma.


Se eu consigo me chocar e inquietar-me com os desvarios de um mundo que está a cada dia mais frio, cercado de violência e inundado de arrogância e soberba, onde a perspectiva não vai além do muro de nossa casa, porque não o fazem os outros também? O que percebo é que nos trancamos em invólucros egocêntricos, e utilizamos desculpas minguadas para não nos envolvermos no que "não nos diz respeito". Teremos em breve uma situação que nos envergonhará como seres humanos, visto que só cresce a falta de atenção, respeito, carinho e compreensão. De maneira (in)consciente nos tratamos como objetos descartáveis, sem levarmos o valor social e emocial que cada um, tem em si mesmo. Sem valorizarmos uma base educacional, que não se restringe aos bancos das instituições de ensino, mas que se aprofunda na base da educação familiar, ou ao menos deveria ser assim. Ingressamos neste século, com a pura certeza que em breve, teremos que provocar uma modificação enorme na massa pensante que trazemos em nós, exigindo de todos, mudanças e adaptações de comportamento com o próximo e lembrando mais uma vez os jovens "descolados e antenados" de hoje, que eles se hoje são o futuro da nação, serão os idosos de amanhã. Ninguém vai escapar dessa realidade, pois o tempo que nos transforma não é uma invenção dos homens e sim do grande Arquiteto do Universo que socializou para todos, independentemente de classe social o mesmo caminho a percorrer até ao Seu chamado final. Está faltando tudo em nós; mas basicamente sob o meu ponto de vista, faltá-nos educação doméstica. Fico muito desconfortável ao ver certos comportamentos, seja aqui nas redes socias, nas salas de aula que visito em minhas incursões na apresentação de meu trabalho profissional, seja em cinemas, clubes ou em qualquer ambiente. Fico assustada pelas atitudes ou falta delas, pela não orientação de como se comportar, respeitar o próximo, saber que sua liberdade vai até o ponto em que não prejudique a do outro e de tomar conhecimento da necessidade do silêncio em determinados ambientes... E não é exclusividade de um segmento ou faixa etária. A educação doméstica, aliada a formal, já permitiu aos homens se refinarem e terem uma visão de mundo e de comportamento. Mas atualmente, estamos nos perdendo e nos afogando, apenas por nos envergonharmos de expor nossos sentimentos, de nos dedicarmos às pessoas, de errarmos e perdimos desculpas, de sermos agradecidos. Hoje se acha bonito a "personalidade forte" de determinadas crianças, daquelas que gritam com a babá e que dão ordens, provocando o riso dos pais, sem se darem conta que estão tristemente com sua aceitação, contribuindo para a construção de uma personalidade torta. Precisamos de boa vontade e comprometimento em todas as esferas da vida. O que eu penso, quando me ponho a observar e refletir em situações como essa a pouco descrita, é que "isso não é personalidade forte", é sim, uma aviltante falta de educação e respeito. Somos todos construídos aos poucos e continuamente. Nelson Mandela diz que :"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.Para odiar as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar". Mais próximo de nós, o padre Fábio de Melo, em um de seus livros nos adverte:"nascemos indivíduos. Só podemos nos tornar pessoas à medida que nos exercitamos na edificação dos dois pilares: posse de si e disposição ao outro. Ser pessoa é estar na posse do que se é, oferecendo-se aos outros. Essa oferenda fomenta a fraternidade, gera realizações e transforma o mundo". Gente...precisamos entender que embora a dinâmica da vida seja cada vez mais exigente com as pessoas em busca de sua sobrevivência, cabe a todos nós, dedicar algumas horas de forma permanente para dialogar uns com os outros, sobre vários temas, questões...falando e ouvindo...respeitando as opiniões, mesmo que contrárias às nossas. As vezes ficamos absortos dentro de nós mesmos, e esquecemos que como seres humanos viventes e pensantes, precisamos da proximidade uns dos outros. Verdade que o mundo está assustadoramente violento, cheio de tragédias, crimes, chacinas...tristemente reflete nossas falhas. Nossas falhas por induzirmos a desestrutura de nossos jovens, adultos e idosos. Estamos nos tornando ermitões, cercados de camêras de vigilância, carros blindados, e nos relacionando muitas vezes, apenas através de telas frias e inexpressivas. O que mais a gente vê, são pessoas sozinhas pelo isolamento imposto por nós mesmos, segregadas ao abandono justamente por não terem no lar/trabalho/vida alguém com quem conversar e seus questionamentos que devem ser muitos, encontram as respostas duvidosas em amizades tortas, que em vez de mostrar o melhor caminho, acabam prejudicando-os. Inquieta-me a quantidade de pessoas que hoje lotam as agendas dos consultórios psiquiátricos, prova cabal e concreta de lares desestruturados e desajustados, de separações mal resolvidas, da falta de atenção e amizades perigosas que se efetivam ao longo do tempo ou que na contra-mão da vida, essas pessoas se perdem de tal maneira que acabam se tornando inssociáveis ao extremo, cometendo suícidios, genocídios e alavancado as tragédias sociais e elevando os índices da violência mundial. Quero crer...porque essa é a minha natureza, que minhas inquietações reverberarão em outras pessoas, porque essas questões tão presentes em nossas vidas, só serão em parte resolvidas, quanto TODOS NÓS, tomarmos conhecimento da importância e responsabilidade de cada um, na formação do caráter uns dos outros. Inquieto-me....e muito!


 
 
 

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